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Na Caixa, mudanças sem diálogo abalam confiança dos empregados

Na última sexta-feira (15/08), em nova rodada de negociação com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), a direção da Caixa se comprometeu não prejudicar nenhum empregado com perdas financeiras no processo de reestruturação, chamado pela empresa de “reposicionamento”. A medida, segundo o banco, busca adaptar a atuação da rede física à nova realidade de atendimento, marcada pelo uso crescente dos canais digitais e pela redução de fluxo em algumas agências.

O processo tem sido alvo de críticas contundentes das entidades representativas, sobretudo pela falta de diálogo prévio. A Caixa implementou mudanças importantes sem qualquer debate, prática que não apenas contraria o espírito da mesa de negociação permanente, como abala a confiança dos empregados.

Um exemplo marcante foi a mudança no modelo de home office, anunciada de forma repentina e sem explicações oficiais. A informação chegou primeiro aos empregados, gerando insegurança, ansiedade e desinformação. A comunicação oficial só veio depois e ainda assim de forma falha.

A situação se agravou com o problema de acesso à VPN, ferramenta essencial para o trabalho remoto. A falha técnica coincidiu com o anúncio das mudanças no home office e demorou 15 dias para que a empresa se pronunciasse efetivamente sobre o que estava acontecendo e como seria a retomada. A resposta chegou apenas no último dia do prazo estimado.

Diante das críticas, a direção da Caixa reconheceu os erros, fez uma autocrítica pública e pediu desculpas pela forma como conduziu o processo. O banco se comprometeu a valorizar a mesa de negociação, garantindo que quaisquer mudanças futuras serão apresentadas previamente à representação dos empregados.

Também houve esclarecimentos sobre o fechamento de unidades físicas. Ao todo, serão extintos 52 agências e 23 postos de atendimento. A Caixa garantiu que todos os empregados das unidades afetadas terão vagas asseguradas em outras dependências.

O encontro teve espaço ainda para tratar sobre o Super Caixa, lançado em julho, sem qualquer diálogo. O programa prevê pagamento de prêmios com base no desempenho, mas a nova sistemática impõe mudanças prejudiciais aos profissionais. Antes, os prêmios pela venda de produtos da Caixa Seguridade eram pagos trimestralmente. Agora, com o Super Caixa, o pagamento passa a ser semestral, o que representa economia para o banco, sem ganhos adicionais para os empregados.

Além disso, o programa exige meta coletiva. Quer dizer, se a unidade não atingir o resultado esperado, nenhum empregado recebe a premiação, mesmo que tenha superado as metas individuais. O modelo é considerado desmotivador. A Caixa defendeu que não há premiação sem resultado consolidado. A próxima rodada de negociação acontece nos dias 18 e 19 de setembro, em Belo Horizonte, sobre o Saúde Caixa e a mesa permanente de negociação, respectivamente.

Redação AGECEF/BA